Resultados para "Marvel"
Capitão América - Guerra Civil


Eu não vou começar esta crítica com a introdução que faço habitualmente. Afinal, são oito anos e treze filmes para chegarmos até aqui. E se você curte o mundo geek, vive no Planeta Terra e no século atual, sabe ao menos uma parcela do história do Universo Cinematográfico Marvel.
Capitão América - Guerra Civil é a abertura da terceira fase do universo. Após os acontecimentos de Nova Iorque, Sokovia e agora na Nigéria, a sociedade passa a ver os heróis como ameaçadores. Enquanto eles acreditam estar salvando as pessoas, elas acreditam que as consequências negativas são piores do que as positivas. Sendo assim, o governo passa a impor um tratado para que todos eles se registrem e sejam propriedade do governo. Assim, Os Vingadores só poderão entrar em ação sob autorização das autoridades. Tony Stark, por conta do peso na consciência pelos acontecimentos de Ultron, acaba aceitando o tratado. Já Steve Rogers não concorda e isso faz com que o restante dos heróis tome partido para um lado, o que resulta da Guerra Civil.
Esqueçam as HQs. Sim, este é o primeiro passo para que se tenha uma experiência completa ao ver este filme. Se está indo ao cinema esperando uma adaptação fiel, tira essa ideia da cabeça e acredite, veja isso como um dos grandes pontos positivos do filme. Isso porque a Marvel de uma vez por todas decidiu que agora o MCU anda praticamente com suas próprias pernas. Há, sim, uma base feita a partir dos quadrinhos, e deve haver, mas Guerra Civil mostra que não isso não é uma regra para seguir o mesmo roteiro. Até porque também não há um universo tão expandido assim. Filme é filme, quadrinho é quadrinho.
O primeiro ponto a se destacar é o amadurecimento da Marvel em quesito filme. É notório que as produções ganham cada vez mais coerência e crescem como produções para o cinema. Inclusive na distribuição de tempo em que cada fato acontece. Este não perde mais tempo com introduções nem mesmo a personagens novos. Ao contrário, passa a demandar melhor o tempo de tela de cada um de seus personagens, tarefa difícil desde o primeiro Vingadores.  
Os irmãos Russo, diretores do longa, são os grandes responsáveis por isso. Mérito maior ainda quando se fala da construção da narrativa, que é todo o desenvolvimento até chegar no embate que leva o nome do filme. Tudo nele é redondo, há uma coesão, uma razão para acontecer e quase nenhuma ponta fica solta no meio da trama. Além disso, o enredo levanta suas questões de maneira inteligente, sejam elas políticas ou pessoais. É incrível como o filme gira em torno de diversas sub-tramas e cresce ainda mais quando elas se chocam.
Resultado disso é a situação em que os fãs que se empolgaram nesta onda de hashtags vão encontrar na hora de decidir um lado. No filme, os dois argumentos são plausíveis, os dois lados estão certos e estão errados ao mesmo tempo. As questões fazem com que o espectador entre em conflito. Afinal, são heróis contra heróis.
Aliás, este é um ponto que se destaca e muito dentro do longa. Desta vez, não há invasão alienígena, robôs gigantes, portais dimensionais, destruições em massa ou qualquer outra coisa do gênero. O embate agora é corpo a corpo, herói contra herói e a cena em que isso acontece é uma das melhores já feitas em filmes de super-heróis. Todos possuem tempo de tela o suficiente para que mostrem seus poderes e a mistura entre ação, drama e comédia é muito bem distribuída na sequência. Além dessa, há ao menos mais duas ou três que empolgam qualquer um.

As cores vibrantes perdem um pouco de seu brilho na tela e o tom cômico que dominava os filmes anteriores agora dá lugar a um clima tenso. A dosagem de humor é bem feita com exceção a uma cena ou outra, mas nada que prejudique o andamento do filme. O segundo ato, por exemplo, é triste, frio, com pouquíssimo humor e sequências incríveis.
Quanto aos personagens, os dois grandes destaques ficam, coincidentemente, aos estreantes na tela Marvel. O Pantera Negra cresce muito bem dentro do filme. Interpretado por Chadwick Boseman, T'Challa possui diversas camadas e quando entra em ação não decepciona nem um pouco. Faz com que o público sinta curiosidade de saber mais sobre ele. Já o outro é o nosso amigo da vizinhança. Tom Holland é o Peter Parker mais fiel até agora. Todas as cenas dele são sensacionais seja em ação ou fazendo graça. Com certeza foi uma ótima introdução ao personagem.
Já os heróis conhecidos, os grandes destaques vão para os principais. Chris Evans e Robert Downey Jr. Se aprofundam em seus personagens e entregam um resultado mais que satisfatório. O conflito de cada um é estampado em suas feições. Evans por ter que se rebelar e sua relação com Bucky, e Downey Jr. pelo peso que carrega nas costas. A rusga entre os dois heróis já existia desde o primeiro Vingadores e desta vez evolui de vez.
Porém, como nem tudo são flores, Guerra Civil por ironia peca exatamente da mesma forma em que os quadrinhos pecam: A promessa de revolução do universo. A conclusão do filme poderia ter sido melhor explorada, mas provavelmente os executivos falaram mais alto e o final acaba sendo basicamente convencional.  
Outra decepção são os vilões da trama. Enquanto Ossos Cruzados é desperdiçado, Daniel Brühl faz uma construção um tanto quanto errada do Barão Zemo. Suas motivações são fracas e soam desnecessárias dentro de uma trama tão bem desenvolvida. Com exceção de Loki, a Marvel se mantém na sina de construir mal seus vilões. Uma pena.

Maduro, Capitão América - Guerra Civil empolga e impressiona pela sua coerência e profundidade. Ele simplesmente funciona como filme e se torna um dos melhores do gênero de super-heróis. Finalmente há a percepção de que não é necessário se apoiar na história em quadrinhos nem parecer raso para empolgar gregos e troianos. Se a Marvel tratar seus filmes exclusivamente como cinema e nada mais, acreditem, não há saturação que a faça perder seu público.


Vinicius Machado sexta-feira, 29 de abril de 2016
Homem-Formiga


O ano era de 2008, o filme do Homem de Ferro trouxe de volta a popularidade do herói, fez crescer o gênero, eternizou Robert Downey Jr., até então um ator completamente esquecido, no papel de Tony Stark, foi um sucesso exorbitante e deu início ao Universo Marvel. 

PÁ! Corta para 2014. Vingadores, Marvel e super-heróis já consolidados no mercado cinematográfico. Guardiões da Galáxia estreia sem tanta popularidade e como uma aposta arriscada da Marvel Studios. Sucesso de crítica, bilheteria e considerado um dos melhores filmes da Casa das Ideias. 

Corta mais uma vez. Eis que chega 2015 e, após  Os Vingadores 2: A Era de Ultron deixar uma pulga atrás da orelha dos críticos por ser aquém do esperado, o Homem-Formiga chega às telonas. Mais um com rótulo de aposta arriscada, tanto pela sua falta de popularidade, quanto pelo peso de ter a missão de fechar a Fase 2 da Marvel nos cinemas.  

Scott Lang é um ladrão habilidoso que procura se aposentar e fazer algo decente na sua vida para voltar a ter contato com sua filha. Ele passa a ser observado pelo Dr. Hank Pym para ajudá-lo numa missão. Então, tendo Pym como seu mentor, Lang recebe o traje que pode diminuí-lo de tamanho, se tornando assim, o Homem-Formiga. 

Não, o herói não é tão secundário assim quanto os integrantes dos Guardiões da Galáxia. Afinal, na história original, ele é um dos fundadores dos Vingadores. Porém, nunca conseguiu sustentar uma história solo, nem nunca fez parte do primeiro escalão da editora. Por que, então, não só introduzi-lo como nos cinemas como um coadjuvante ao invés de fazer um solo? Simples. 

A ideia de se fazer um solo do Homem-Formiga é porque, além de gostar de desafios, a Marvel pensa no futuro de seu universo. Mas calma, vamos falar do primeiro quesito. 

Como eu disse anteriormente, todos os filmes desacreditados da empresa surpreendem e são responsáveis pelos picos de sucesso. Quando uns e outros oscilam em qualidade, surge uma aposta que traz de volta aquela vontade de ver cada vez mais heróis nos filmes. E este é um exemplo claro. 

O filme é completamente despretensioso e leve, sem aquela tensão toda das continuações solos de Homem de Ferro, Thor, Capitão América e Vingadores 2. Sim, o clima é de comédia, graças ao diretor Peyton Reed, que substituiu Edgar Wright após conflitos criativos com os produtores. Wright não queria fazer tantas ligações com o Universo Marvel, nem inserir muitos dramas familiares.  

O resultado desta troca foi a junção de dois elementos: As ideias no roteiro de Wright, muitas delas mantidas e a adição de alguns elementos de Reed. Inclusive, estas imposições da Marvel foram corretíssimas. Os laços familiares, tanto de Lang e sua filha Cassie, quanto a de Pym com sua filha Hope são grandes pilares da trama. Sem contar que as imersões no Universo são assertivas e resultam em cenas bem elaboradas, sejam em ação ou até mesmo nos diálogos. 

Reed possui uma mão boa para diálogos e situações engraçadas, um ponto forte dentro do longa. Algumas piadas soam infantis demais, mas outras são muito bem colocadas e ajudam muito a dar a leveza que o filme precisa. Destaque para Michael Peña no papel de Luis. O personagem é um dos mais hilários de toda a franquia Marvel e merece continuar nas sequências. 

Outro bom destaque é a forma com que os poderes do herói são colocados. À primeira vista, Homem-Formiga não é lá um herói a ser respeitado, e o próprio longa tira sarro disso, com boas sequências que mesclam ação e comédia. Assim como as ideias de proporção também são bem desenvolvidas quanto imagem. São cenas criativas. Basicamente um Querida, Encolhi o Super Herói. O 3D finalmente serve para alguma coisa, pouca, claro, não se iludam. 

Pensando no futuro 

Como foi dito lá em cima, o motivo de se fazer um filme solo de um herói desconhecido pela grande maioria do público é por pensar no futuro. Não daqui um ou dois anos, mas quando chegar a hora de nos despedirmos dos personagens mais convencionais como Stark, Rogers, Thor e Banner (Não, não tem spoilers, mas seus contratos estão acabando). E é por isso, que quanto antes introduzir novos heróis, melhor, assim o público se familiariza com os que estão por vir rapidamente. 

A começar pela escolha de colocar Dr. Pym como apenas um mentor para Lang. Pym é o primeiro Homem-Formiga, e para ser fiel, deveria ser assim no filme. Mas talvez pensaram num pequeno acontecimento nas HQ's que poderia colocar tudo a perder: Pym agrediu sua mulher, o que resultou na separação dos dois. Em tempos em que tudo é passível de reclamação, esse fato poderia gerar um boicote por parte do público. 

No entanto, a escolha de Scott Lang é perfeita. E é Paul Rudd que torna isso possível. O cara tem todo o carisma necessário para se tornar o novo ícone-showman-falastrão da Marvel. Arrisco dizer que este será o novo Tony Stark da segunda era da Casa das Ideias. 

Michael DouglasEvangeline Lilly fazem ótimo trabalho no papel de Dr. Pym e sua filha Hope, assim como Corey Stoll faz bem o papel de Darren Cross, ou o Jaqueta Amarela. 

Mais uma vez, a Marvel mirou e deu um tiro certeiro. Homem-Formiga é mais uma aposta que deu certo. É despretensioso, é divertido, é engraçado, é leve e...É Marvel, desta vez, visando seu futuro e tentando nos convencer de que ela não se resume apenas em Homem de Ferro, Capitão América, Thor e Hulk. Por enquanto, tem conseguido provar que estes quatro podem ser meras formigas dentro de um universo tão grande. 


Nota:

Vinicius Machado quinta-feira, 16 de julho de 2015
Os Vingadores 2: A Era de Ultron

Você se lembra de Toy Story? Sim, aquele primeiro longa-metragem produzido completamente em computação gráfica, que praticamente ditou o futuro das animações e recebeu três indicações ao Oscar incluindo Melhor Roteiro? Pois bem, o projeto foi engavetado algumas vezes pelo fato de ninguém conseguir dar uma estrutura narrativa coesa a ele, até que chamaram um cara, e ele salvou tudo. Foi praticamente o responsável por criar o roteiro e a história que tanto conhecemos e assistimos na nossa infância. Ele deu vida a Woody, Buzz e sua turma. 

Ok, bonita história. Mas o que isso tem a ver com Os Vingadores? Ora, meu caro leitor, praticamente tudo. O cara chamado pra salvar a Pixar de um desastre foi nada mais, nada menos que Joss Whedon, criador da aclamada série americana Buffydiretor de Os Vingadores e, deste que vos falo, Os Vingadores 2: A Era de Ultron.

Nesta sequência, que marca o fim da fase dois da Marvel, Capitão América (Chris Evans), Homem de Ferro (Robert Downey Jr.), Thor (Chris Hemsworth), Hulk (Mark Ruffalo), Viúva Negra (Scarlett Johansson) e Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) voltam a trabalhar juntos para tentar deter Ultron, um programa falho projetado por Tony Stark. 

É impossível falar deste filme sem citar, mais uma vez, a força que a Marvel possui neste projeto tão ambicioso. Não tem mais como dar errado e a tendência é só de evoluir se eles souberem administrar o tanto de informações ao público a respeito das tramas e seus diversos personagens. Na HQ é simples, no cinema, naquele momento dentro de uma sala, nem tanto. 

Esse talvez seja o único defeito de A Era de Ultron. O filme é longo e na primeira parte, o espectador recebe uma dose absurda de informações e personagens diferentes, o que pode acabar confundindo os menos aficionados por quadrinhos, pelo menos por alguns minutos.  

Por sorte, graças à direção de Whedonesse detalhe não chega nem perto de influenciar a qualidade do longa. Ele não perde a mão e deixa tudo coerente. Além de conseguir mais uma vez trazer o que há de melhor em cada um de seus protagonistas na mistura de gêneros entre ação, comédia e drama. 

É nítido que ele usou a mesma estrutura narrativa do antecessor. A mesma construção dos acontecimentos e dos fatos. Mas a diferença está exatamente na evolução e no amadurecimento da trama, que parece ser mais conciso, mais consolidado e tudo fica mais fácil, já que não há mais a necessidade de separar um espaço para apresentar os personagens. 

Uma das boas características da Marvel é que a Casa das Ideias não fica no mais do mesmo e tenta se reinventar cada vez mais. Guardiões da GaláxiaDemolidorsérie recém lançada no Netflix estão aí para nos provar isso, A Era de Ultron também.  

O estúdio aposta num longa mais maduro e sombrio que seu primeiro filme. Além de possuir uma história melhor desenvolvida, elementos dramáticos são incluídos na trama para dar uma certa humanização nos personagens. 

Se em Os Vingadores algumas pessoas achavam que se tratava de um Tony Stark e seus amigos, nesta sequência ninguém pode reclamar. Todos os personagens estão igualmente introduzidos. Cada um possui seu conflito interno e seu espaço para mostrar serviço, seja em ação ou mesmo no quesito atuação. 

Os quatro principais atores (Downey Jr., EvansHemsworth e Ruffalocontinuam fazendo um bom trabalho, mas não há nenhum destaque a pontuar. Já a dupla de coadjuvantes, Jeremy Renner e Scarlett Johansson são dois grandes trunfos para o filme. 

Renner possui um destaque maior, desenvolve um papel bastante importante para o enredo e protagoniza ótimas cenas quando se trata de alívio cômico. Seus diálogos sempre valem a pena. Johansson, por sua vez, tem a tarefa de ser a única mulher do grupo e ser um pouco menos infantil que seus companheiros. Além disso, sua química com Ruffalo é muito boa na relação entre Viúva Negra e Hulk, essa que cresce desde o primeiro filme. 

Diferente de seu antecessor, Os Vingadores 2 - A Era de Ultron marca o encerramento da segunda fase da Marvel ao mesmo tempo que se inicia a terceira. Desta vez, sem os olhares atentos de Joss Whedon, que se despede da franquia com seu melhor filme na carreira. O diretor soube canalizar o excesso de informações e dar elementos mais maduros à sequência. Resta saber agora se a Disney, junto à Casa das Ideias conseguirá manter o nível até o fim, já que a tendência de saturação do gênero cresce cada vez mais. É preciso se reinventar, e até 2018 tem muito chão. 

Nota:

Vinicius Machado terça-feira, 21 de abril de 2015
Postagens mais antigas ››

Postagens populares