Desde criança eu sou fascinado por dinossauros. Tive milhares de brinquedos e até cheguei a fazer um aniversário com o tema. E como tudo que era relacionado a dinossauros me encantava, obviamente Jurassic Park era um dos meus filmes prediletos. Perdi as contas de quantas vezes assisti à trilogia e, inclusive, foi ele o responsável por eu gostar tanto de cinema. Afinal, eu ficava hipnotizado com aquela ideia de se fazer dinossauros computadorizados e com os meus oito ou nove anos de idade resolvi que esta seria minha profissão: trabalhar com efeitos especiais e visuais no cinema, eu ia criar dinossauros. Obvio que não deu certo, mas dali nasceu a paixão e a vontade por trabalhar com qualquer coisa que envolvesse cinema. Cá estou.
Por conta da idade, pude assistir apenas o terceiro no cinema, mas o filme não é lá essas coisas e, convenhamos que visitar a Ilha Sorna não dava a mesma sensação de visitar a Isla Nublar, local onde ocorreu o primeiro filme.
Pois bem, 14 anos depois do lançamento de Jurassic Park III e 22 após o primeiro, eis que tenho a oportunidade de ver um lançamento da franquia nos cinemas. Desta vez, não há número de sequência, é Jurassic World, título dado devido ao nome do parque, já aberto ao público e totalmente reformulado, praticamente é o sonho do Dr. Hammond realizado 22 anos depois. O dono agora é um bilionário e o parque é um sucesso. Mas para ele se manter assim, é necessário que haja sempre um fator de novidade, o que os leva a criar um dinossauro geneticamente modificado, que mistura os genes de diversos outros dinossauros a fim de criar uma nova atração para o público. Obvio que não foi uma boa ideia e o réptil gigante adquire uma inteligência fora do comum, escapa de sua jaula e deixa tudo fora do controle.
Desde o começo, acompanhei a trajetória e esboços de roteiros para esta sequência e confesso que a ideia de criar um dinossauro híbrido não me agradou e até poucos dias antes de ver ao filme eu tinha um pé atrás. Mas Steven Spielberg (que produz) e Colin Trevorrow (que dirige) nos surpreende com todos os argumentos apresentados. O roteiro traz a situação atual do mundo de uma maneira sutil: O capitalismo e a busca por lucro por todos os lados, e, claro, um parque é um negócio e uma fonte de lucro, logo, é necessário certos investimentos para conseguir isso, e nada mais justo que uma nova atração.
Além disso, diversas pontas são bem fechadas, inclusive em relação ao primeiro filme. Ao mesmo tempo em que existe a ganância, também há a paixão envolvida nos projetos. Tem uma ideologia a ser seguida. Dá pra ver a preocupação em não cometer os mesmos erros de Jurassic Park, que nem chegou a abrir pelos incidentes causados por segurança, ou até mesmo a forma de como não se poupa gastos, como dizia John Hammond.
Outro ponto bem interessante é de como Jurassic Park é tratado dentro de sua própria sequência. Diversos detalhes são colocados para homenagear o primeiro filme, que dá, ao lado da bela trilha sonora, o tom de nostalgia e a sensação de voltar aos anos 90.
No entanto, há um certo exagero na necessidade de criar vilões humanos interessados em gerar negócios atrás de negócios, claro, isso se deve muito também pela falta de empatia pelo dinossauro vilão. Indominus Rex é o tal do híbrido inteligente e psicopata que só pensa em matar. Porém, é um animal que simplesmente não atrai. Gera suspense? Sim. Mas ainda assim não é aquilo que o fã espera, por sorte temos outros animais que se destacam, como o aquático Mosassauro, uma espécie de baleia Shamu do parque; Os Velociraptors, que não poderiam faltar e aumentam ainda mais o suspense e, claro, o T-Rex, que a única coisa que posso falar sobre ele é...PUTAMERDA!
Desta vez, os raptores tem seu comportamento estudado e são treinados por Owen Grady, interpretado por Chris Pratt, que faz um ótimo trabalho como protagonista, inclusive na sua boa relação com os raptores. Já outra boa atuação é de Bryce Dallas Howard, no papel de Claire, a gerente de operações do parque e uma das responsáveis por criar o Indominus Rex.
Já a dupla de irmãos interpretados por Nick Robson e Ty Simpkins não dão liga e fazem um trabalho mediano, com diálogos bem rasos e clichês, mas isso já é de se esperar, já que a direção de atores nunca foi o forte da franquia.
No fim das contas Jurassic World é tudo aquilo que todos os fãs esperaram 22 para ver: Uma sequência digna para Jurassic Park, que, além de conter todos os elementos clássicos do primeiro, traz a emoção e a euforia de volta e ainda faz com que o público volte a ter a mesma sensação de arrepio ao ouvir os rugidos. Sem contar a vontade de querer sair do cinema cantarolando a trilha sonora por dias. Peguem seus passaportes, estejam com seus bilhetes em mãos e cliquem neste link antes de ler a frase final...
Pronto?
Mesmo?
Tá...
Então lá vai.
Bem vindos, ao Jurassic World Park!

