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Os sete melhores filmes 2015
O ano de 2015 pode ter sido um grande revés para a maioria das pessoas. No entanto, essa condição não se encaixa quando o assunto é cinema. Foram grandes lançamentos para todos os gostos. Teve super-herói, nacional, reboot, sequência e até momentos nostálgicos com novos clássicos, como alguns que compõem esta lista.  
Eles não estão em ordem de qualidade, mas de lançamento. Foram escolhidos apenas sete, portanto, muitos que gostaria que estivessem aqui ficaram de fora.  Lembrando, também, que a lista aborda apenas os lançamentos nacionais e não o ano de produção. Vamos lá? 
O único filme que deveria ter entrado na lista de 2014, mas não entrou pelo seu lançamento no Brasil ter sido apenas no ano seguinte. Não para menos, o filme foi indicado a nove Oscar e levou quatro, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor para Iñarritu. Feito em sua maioria como plano sequência e técnica impecável é incrível ver com o  roteiro se desenrola na decadência de um ator, este interpretado por Michael Keaton. Se tivesse entrado em 2014, com certeza estaria no topo da lista. 
Mad Max – Fury Road 
Me arrisco a dizer que este é o melhor filme do ano (SIM, APESAR DE STAR WARS) pelo simples fato de ser completamente diferente de todos os outros lançamentos.  Você pode até não ter gostado, mas deve admitir que nunca viu um filme tão frenético, com bom roteiro, ótimas atuações (CHARLIZE THERON!!) e cheio de ação como Mad Max. O filme simplesmente é maravilhoso em todos os sentido e, se depender de mim levará todos os prêmios possíveis. 
Jurassic World 
Está aí uma das surpresas do ano. Sinceramente, eu não esperava me empolgar nem um pouco com Jurassic World. Como já havia dito na resenha, a ideia de um dinossauro híbrido não me agradava nem um pouco. Mas queimei a língua e saí do cinema emocionado por ter visto uma das minhas franquias favoritas de volta e com a experiência melhor do que as duas sequências de Jurassic Park. Só de me lembrar do Rex aparecendo já me arrepia. 
Que Horas Ela Volta? 
Sim, o filme é nacional e está na lista de melhores filmes do ano. Porquê? Simples, ele é um dos filmes mais agradáveis e gostosos de se assistir sem perder o lado crítico e sua essência. É realmente uma pena que o filme tenha ficado de fora das indicações ao Oscar, mas isso não tira o brilho da qualidade do longa, nem das ótimas atuações de Regina Casé e Camila Márdila. 
No Coração do Mar 
Este sim é a grande surpresa do ano. Assisti despretensiosamente e achei um filme magnífico em todos os sentidos. Ron Howard mais uma vez se mostra um excelente contador de histórias e dirige o filme que conta sobre a história por trás do livro de Moby Dick. Os efeitos, a ideia e as atuações são de cair o queixo. Destaque para Chris Hemsworth, que cada vez mais se mostra um excelente ator e não apenas um rostinho bonito. 
Perdido em Marte 
Perdido em Marte, apesar de ter um bom roteiro, não nos apresenta quase nada de novo, tendo em vista que a cada ano ao menos um longa de ficção com foco no espaço é lançado agora. No entanto, este possui um lado mais sarcástico e inteligente, que faz com que o público se situe dentro do enredo e fique com o coração apertado do início ao fim. Sem contar a volta à boa forma de Riddley Scott na direção. 
Star Wars: Episódio VII– O Despertar da Força 
Ah, cara...o que mais posso dizer ¯\_(ツ)_/¯

Vinicius Machado quarta-feira, 30 de dezembro de 2015
Fanboys e a importância do cinema na vida das pessoas

O mundo todo quer assistir Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força certo? Certo. No entanto, Daniel Fleetwood, 31, fã desde os 9 anos, provavelmente não conseguirá esperar até o dia 17 de dezembro para desfrutar do novo filme da saga, pois foi diagnosticado com câncer terminal e os médicos lhe deram apenas dois meses de vida.  
Sendo assim, foi feita uma campanha nas redes sociais para que a Disney e a Bad Robot (produtora de J.J. Abrams) se sensibilizassem e o deixassem assistir ao filme antes da estreia, com hashtag #ForceForDaniel. A mobilização foi tanta que os atores Mark Hamill, John Boyega e Peter Mayhew mostraram seu apoio e adivinhem? DEU CERTO! A Walt Disney autorizou a exibição de uma versão inicial em sua casa e Fleetwood viu o Episódio VII antes de todo mundo.  
Parece coisa de filme, né? Mas acredite, existe um filme com uma história bem parecida. 
Fanboys conta a história de um grupo de amigos que, ao descobrirem que um deles sofre de uma doença terminal, decidem realizar um plano de infância e invadir o Rancho Skywalker, de George Lucas, para roubar uma cópia de Episódio I - Ameaça Fantasma e assistir antes de todo mundo. Ele é de 2009 e foi dirigido pelo americano Kyle Newman e sequer estreou nos cinemas por aqui, chegando apenas em DVD. Hoje em dia, é muito fácil achá-lo pela internet ¯\_(ツ)_/¯. 
O filme pode não ser o ápice da comédia, nem um excelente road movie, mas para os fãs é um prato cheio de referências à trilogia antiga e até mesmo algumas boas sacadas sobre o Episódio I, como um homem que tatua Jar Jar Binks, acreditando que ele será o melhor personagem do filme. Sem contar as boas cenas que envolvem conflitos com os Trekkers, fãs de Star Trek, que rendem boas risadas nerds. 
No elenco, temos Chris Marquette, Sam Hutington, Ben Fogler e a bela Kristen Bell, além da participação especial dos atores dos clássicos Carrie Fisher (Leia), William Shatner (Cap. Kirk) e Billy Dee Williams (Lando Calrissian). 
Porém, ainda que hajam referências nerds, em determinado momento, o enredo passa a seguir uma linha em que o objetivo em si fique em segundo plano. A partir dali, é a amizade do grupo que se faz prevalecer. Independente de qualquer coisa, um está ao lado do outro. 
Ao fim de tudo, temos mais uma vez a prova do que o cinema é capaz de proporcionar às pessoas. No longa, há muito mais do que apenas um filme envolvido. Na vida real também. Se nós já nos mobilizamos para ajudar uma pessoa que não conhecemos e nos emocionamos, imaginem os amigos e familiares de Daniel e de muitos outros casos que já aconteceram, a exemplo do próprio J.J. Abrams, que fez o mesmo com outro paciente quando estreou Star Trek - Além da Escuridão.  
Mais uma vez, a Disney fez jus à sua fama de Fabrica dos Sonhos. Afinal, de que serve o cinema senão para realizar sonhos e deixar as pessoas felizes? 
PS: Tomara que a experiência tenha sido melhor que a de ver Episódio I - Ameaça Fantasma, porque né? 

Vinicius Machado sexta-feira, 6 de novembro de 2015
Interstelar


Christopher Nolan é um dos caras mais inteligentes e regulares do cinema atual. Em meio à tantas produções mais do mesmo, o diretor consegue extrair aquilo que há de melhor num longa metragem e dificilmente você o verá fazendo filmes ruins. Inclusive, seus últimos trabalhos são considerados verdadeiras obras primas, como é o caso da trilogia Batman, O Grande Truque e A Origem. 

Sendo assim, após dois anos de The Dark Knight Rises, eis que ele está de volta com força máxima em Interstelar e, sim, ele fez de novo. 

Em um futuro não muito distante, a Terra possui pouquíssimos recursos naturais para manter a sobrevivência da população por muito tempo. O engenheiro espacial Cooper (Matthew McConaughey) trabalha como fazendeiro cultivando milho ao lado dos filhos e do sogro até ser chamado para liderar uma missão espacial que busca explorar novos planetas que podem substituir a Terra.  

O primeiro ato do filme é totalmente voltado para a construção dos personagens e suas relações, obviamente com enfoque maior no protagonista. Este talvez seja o filme com maior dramaturgia de Nolan, algo que o diretor sempre deixou em segundo plano. Conhecemos de cara a relação de Cooper com sua filha, Murph. A garota possui um interesse grande na ciência e seu pai lhe dá o maior incentivo. A química entre McConaughey e Mackenzie Foy é perfeita e contribui muito para o peso emocional dessa primeira parte. 

Em seguida, somos levados ao espaço com o mesmo pesar da equipe ao deixar a vida (ainda que precária) na Terra para encontrar uma solução. E é aí que embarcamos de vez na viagem do filme.  

É bom deixar claro que Interstelar começou com um roteiro de Jonathan Nolan para Steven Spielberg que, no final das contas, passou a direção para Christopher que, por sua vez, reuniu algumas ideias próprias às do irmão e tirou a obra do papel, literalmente. 

O filme é completamente baseado na teoria da relatividade de Albert Einstein. E o diretor não só explora a ideia, como a transmite na pratica. Sabemos bem o quão fanático ele é em seus temas abordados. Uma das cenas mais marcantes da exposição desse fanatismo é quando os integrantes da equipe realmente se dão conta de que o tempo na Terra equivale ao dobro (ou mais) do tempo deles no espaço. Uma sequência fantástica e emocionante, que conta com um peso absurdo da atuação de McConaughey. 

Outro ponto forte são as inspirações de Nolan. É impossível assistir ao filme sem se lembrar de 2001: Uma Odisseia no Espaço. A referência visual das cenas do espaço, assim como a trilha sonora (feita pelo excelente Hanz Zimmer) e certos momentos de diálogos deixam bem claro que o diretor fez curso intensivo na escola Kubrick, obvio que não podia dar errado. Mesmo sem versões em 3D, a experiência visual é tão sensacional quanto Gravidade. Outra referência interessante é na fotografia de algumas cenas, um tanto quando J.J. Abrams, vistas de baixo e com alta luminosidade.  

Nas análises teóricas, o filme apresenta pontos de vistas quânticos não discutidos desde a série Lost (coincidentemente de Abrams). Questões como o buraco de minhoca, tempo e espaço e estão de volta no longa. Não se preocupe, tudo é bem explicado e didático para que o espectador não se perca em meio à tantas informações, essas que são inseridas até por meio de equações. Como disse anteriormente, Nolan é obcecado por tudo que faz e não abre mão de nada. 

Quanto às atuações, isso não há o que discutir. Muito se deve a Matthew McConaughey. É incrível como ele virou um ícone quando se trata de atuações memoráveis. Só esse ano foram duas: Clube de Compras Dallas e este que vos falo, sem contar a ponta genial em O Lobo de Wall Street. Suas expressões faciais e ações durante o filme ditam a forma com que o espectador encara a situação. Sentimos na pele seus sofrimentos e emoções. Até então, temos um concorrente forte ao Oscar de Melhor Ator. 

O restante do elenco também faz um excelente trabalho: Anne Hathaway, no papel da Dra. Brand, companheira de equipe de Cooper, faz ótima função de apoio ao protagonista no espaço, enquanto Jessica Chastain (Murph na fase adulta) e Michael Caine (Dr. Brand) são os responsáveis pelas excelentes atuações na Terra, inclusive, tendo uma cena determinante para o decorrer da trama. 

Com três horas de duração (que por sinal passam voando), roteiro fantástico e trilha sonora impecável, Interstelar mexe com nossas emoções a todo momento. É o tipo de filme que o espectador vai sair da sala em transe e não vai esquecê-lo por um bom tempo. A história vai muito além da ciência e é mais humana do que se pode imaginar. É incrível, é lindo. 

Sem entrar no mérito de ser ou não o melhor trabalho de Nolan até agora, é fato que o diretor conseguiu fazer sua própria odisseia no espaço em um clássico contemporâneo de ficção-científica. Sinceramente, eu poderia finalizar o texto com alguma questão metafísica ou inspiradora, mas o que me vem na cabeça é apenas uma indicação: Assista o quanto antes, sem pensar duas vezes e, de preferência, na maior sala de cinema que você encontrar. 




Nota:


Vinicius Machado segunda-feira, 10 de novembro de 2014
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