Resultados para "Spielberg"
Série Oscar 2016: Ponte dos Espiões

Steven Spielberg é um dos maiores diretores de sua geração. Não há o que discutir quando falamos das qualidades de seus filmes que, mesmo quando fracos, ainda possuem diversas qualidades. No entanto, há alguns anos que ele não consegue emplacar uma verdadeira obra-prima. "As Aventuras de Tin-Tin" foi seu último grande trunfo. Depois vieram "Cavalo de Guerra" e "Lincoln", dois filmes bons, mas que claramente foram feitos no piloto automático a fim de bajular a academia e conseguir algumas indicações ao Oscar. Claro, conseguiram. "Lincoln" levou duas estatuetas das 12 indicações e "Cavalo de Guerra" nenhum, mas obteve 6 indicações.

Mais uma vez, um filme de Spielberg está entre os indicados a Melhor filme e outras cinco categorias. "Ponte dos Espiões" estreou em outubro do ano passado no Brasil (desculpem o atraso).

Baseado em fatos, "Ponte dos Espiões" traz Tom Hanks na pele de James Donovan, um advogado de seguros que é chamado para defender Rudolf Abel (Mark Rylance), um espião soviético capturado pelos americanos. Mesmo sem ter experiência nesta área legal, Donovan torna-se uma peça central das negociações entre os Estados Unidos e a União Soviética ao ser enviado a Berlim para negociar a troca de Abel por um prisioneiro americano, capturado pelos inimigos.

Apesar de estarmos falando das qualidades do diretor americano, não é dele o maior trunfo deste longa. O roteiro, escrito por Matt Charman e os irmãos Coen é o grande pilar do filme. É verdade que o ritmo é lento, mas os diálogos, muitas vezes ácidos, ganham destaque no desenvolver da trama sem muito esforço. Um filme sobre a Guerra Fria não precisa de ação, e é este o grande ponto.  

De início, como eu disse, o ritmo é lento e nos faz pensar que o filme será uma interminável batalha jurídica. Mas os acontecimentos, guiados pela ótima atuação de Hanks, nos levam a um didatismo e ótimas sequências de negociações e até mesmo nas discussões que tem com seu cliente, o espião soviético. A maneira de como ele conduz os fatos e as autoridades também é fantástica. Além disso, o longa transmite bem a tensão vivida na época entre americanos e soviéticos. Hanks segura bem a barra do personagem e adota o tom perfeito para lidar com situações de radicais.  

No entanto, por melhor que seja a mão do diretor, há alguns elementos que prejudicam a trama. Spielberg parece, sim, estar no piloto automático quando mais uma vez tenta impor um clima semelhante aos dois anteriores. Spielberg tem uma mania irritante de fazer tudo parecer uma grande amizade entre o protagonista e o coadjuvante. E por mais que na vida real Donovan e o espião criaram laços, o diretor faz parecer um tanto quanto piegas.

Isso sem contar sua forma de conduzir as conclusões, lentas e que se baseiam na grande mensagem que é sobre a família, o amor, e a amizade. Sim, pode até já ter virado um costume do diretor, mas é necessário saber dosar a ponto de não prejudicar o ritmo de uma trama, ainda mais quando seu argumento já lhe sugere ser lento. Algumas cenas inclusive, poderiam ser menos arrastadas e diminuiriam a duração, que é longa.

"Ponte dos Espiões" peca muito pelo dramalhão, mas ganha ao trazer uma análise mais fria e com um patriotismo menos evidente sobre a guerra fria. Claro, graças ao ótimo roteiro alinhado à fotografia impecável e (mais) uma ótima atuação de Tom Hanks. Ainda assim, é preciso admitir, Steven Spielberg, mesmo quando está no piloto automático, consegue prender a atenção de muita gente, inclusive a minha.


Vinicius Machado terça-feira, 2 de fevereiro de 2016
Minions


Filmes de desenho sempre foram vistos como um produto a ser explorado. Quando eles estouram em bilheteria, diversos itens para as crianças e até mesmo para os pais são colocados à venda para aumentar ainda mais o retorno financeiro. Um dos fatores para que isso ocorra é ter um personagem de destaque além do protagonista para manter a mercadoria viva no mercado. Como? Lançando um filme solo sobre ele algum tempo depois do original. 

O Gato de Botas, Os Pinguins de Madagascar e Procurando Dory são três bons exemplos de que esta é uma boa fórmula para manter um franquia viva. Mas até hoje, nunca houve um alvoroço tão grande pelos pequenos seres amarelos de Meu Malvado Favorito (1 e 2). Sim, os Minions acabam de ter seu filme solo lançado no cinema. E, bem...que trailer legal, né? 

Ninguém até então sabia a origem destes simpáticos bichinhos, e é este o foco do longa. Depois da morte de seu chefe, Kevin, Bob e Stuart seguem viagem para encontrar um vilão para servir e encontram Scarlett Overkill, uma vilã charmosa cujo objetivo é dominar o mundo. 

Numa ótima introdução, o público viaja no tempo para saber um pouco mais da trajetória deles e alguns de seus chefes como um Tiranossauro Rex, um Faraó, Drácula e Napoleão. Claro, esta seria uma ótima sequência no cinema se ela não estivesse em todos os trailers do longa. 

O maior problema de Minions é exatamente esse: Não há um fator de novidade, nem uma boa cena para darmos risada a não ser as que estão inseridas no trailer. Não dá para entender qual a razão disso, tendo em vista que só seu nome carrega uma força grande por parte dos fãs, mas é fato que excesso de informação na divulgação atrapalha muito. Há diversas maneiras de se divulgar um longa sem a necessidade de entregá-lo ao público. Jurassic World, por exemplo, divulgou pouquíssimas informações e acabou sendo uma grata surpresa no ano.  

Mas afinal, como fazer um longa sobre personagens que possuem língua própria, que aparecem nos filmes originais em momentos esporádicos e dividem o alívio cômico com outros personagens? Pois é, não é fácil e o diretor Pierre Coffin provou que era necessário uma dedicação a mais no fator roteiro, algo que não aconteceu. 

A impressão é de que o filme foi feito às pressas, sem a preocupação de entregar uma boa história. Achar que apenas os próprios minions falando e fazendo graça segurariam a barra por 90 minutos é muita ingenuidade. O sucesso deles se deve ao bom enredo do primeiro Meu Malvado Favorito e sua sequência, onde apareciam para arrancar risadas do público. Desta vez, não dá pra fazer isso sempre, e era neste momento em que a história deveria aparecer. 

Mas ok, ainda assim existe uma salvação. Afinal, estamos falando dos minions, os seres mais encantadores da história das animações. E sim, eles conseguem arrancar sorrisos do público. Além disso, Kevin, Stuart e Bob são muito bem desenvolvidos e nos conquistam do início ao fim. É perceptível um pouco da ligação entre eles com as três irmãs do original. Os três são, claramente, Margo, Edith e Agnes na versão baixinha e amarela. Destaque para Bob, o caçula da turma, que encanta e deixa o espectador com vontade de levá-lo para casa de tanta fofura. 

Porém, estes são os únicos personagens que simpatizam com o público. Scarlett Overkill (dublada por Sandra Bullock e bem abaixo da média por Adriana Esteves na versão brasileira) não é uma vilã carismática e tudo parece soar superficial demais para seu peso na trama. 

Bem mais infantilizado do que deveria em vista de seu público médio e seus antecessoresMinions diverte, mas peca pela falta de história, de novidade e é a prova viva do cinema comercial: Destinado a um grande nicho, com intuito de vender produtos sem se preocupar muito com o que está na tela. Mas anime-se, apesar de tudo, ver estes pequenos seres amarelos fazendo graça por uma banana ainda nos faz sair sorrindo do cinema.

Nota.

Vinicius Machado quinta-feira, 25 de junho de 2015
Jurassic World


Desde criança eu sou fascinado por dinossauros. Tive milhares de brinquedos e até cheguei a fazer um aniversário com o tema. E como tudo que era relacionado a dinossauros me encantava, obviamente Jurassic Park era um dos meus filmes prediletos. Perdi as contas de quantas vezes assisti à trilogia e, inclusive, foi ele o responsável por eu gostar tanto de cinema. Afinal, eu ficava hipnotizado com aquela ideia de se fazer dinossauros computadorizados e com os meus oito ou nove anos de idade resolvi que esta seria minha profissão: trabalhar com efeitos especiais e visuais no cinema, eu ia criar dinossauros. Obvio que não deu certo, mas dali nasceu a paixão e a vontade por trabalhar com qualquer coisa que envolvesse cinema. Cá estou. 

Por conta da idade, pude assistir apenas o terceiro no cinema, mas o filme não é lá essas coisas e, convenhamos que visitar a Ilha Sorna não dava a mesma sensação de visitar a Isla Nublar, local onde ocorreu o primeiro filme.  

Pois bem, 14 anos depois do lançamento de Jurassic Park III e 22 após o primeiro, eis que tenho a oportunidade de ver um lançamento da franquia nos cinemas. Desta vez, não há número de sequência, é Jurassic World, título dado devido ao nome do parque, já aberto ao público e totalmente reformulado, praticamente é o sonho do Dr. Hammond realizado 22 anos depois. O dono agora é um bilionário e o parque é um sucesso. Mas para ele se manter assim, é necessário que haja sempre um fator de novidade, o que os leva a criar um dinossauro geneticamente modificado, que mistura os genes de diversos outros dinossauros a fim de criar uma nova atração para o público. Obvio que não foi uma boa ideia e o réptil gigante adquire uma inteligência fora do comum, escapa de sua jaula e deixa tudo fora do controle. 

Desde o começo, acompanhei a trajetória e esboços de roteiros para esta sequência e confesso que a ideia de criar um dinossauro híbrido não me agradou e até poucos dias antes de ver ao filme eu tinha um pé atrás. Mas Steven Spielberg (que produz) e Colin Trevorrow (que dirige) nos surpreende com todos os argumentos apresentados. O roteiro traz a situação atual do mundo de uma maneira sutil: O capitalismo e a busca por lucro por todos os lados, e, claro, um parque é um negócio e uma fonte de lucro, logo, é necessário certos investimentos para conseguir isso, e nada mais justo que uma nova atração. 

Além disso, diversas pontas são bem fechadas, inclusive em relação ao primeiro filme. Ao mesmo tempo em que existe a ganância, também há a paixão envolvida nos projetos. Tem uma ideologia a ser seguida. Dá pra ver a preocupação em não cometer os mesmos erros de Jurassic Park, que nem chegou a abrir pelos incidentes causados por segurança, ou até mesmo a forma de como não se poupa gastos, como dizia John Hammond. 

Outro ponto bem interessante é de como Jurassic Park é tratado dentro de sua própria sequência. Diversos detalhes são colocados para homenagear o primeiro filme, que dá, ao lado da bela trilha sonora, o tom de nostalgia e a sensação de voltar aos anos 90. 

No entanto, há um certo exagero na necessidade de criar vilões humanos interessados em gerar negócios atrás de negócios, claro, isso se deve muito também pela falta de empatia pelo dinossauro vilão. Indominus Rex é o tal do híbrido inteligente e psicopata que só pensa em matar. Porém, é um animal que simplesmente não atrai. Gera suspense? Sim. Mas ainda assim não é aquilo que o fã espera, por sorte temos outros animais que se destacam, como o aquático Mosassauro, uma espécie de baleia Shamu do parque; Os Velociraptors, que não poderiam faltar e aumentam ainda mais o suspense eclaro, o T-Rex, que a única coisa que posso falar sobre ele é...PUTAMERDA! 

Desta vez, os raptores tem seu comportamento estudado e são treinados por Owen Grady, interpretado por Chris Pratt, que faz um ótimo trabalho como protagonista, inclusive na sua boa relação com os raptores. Já outra boa atuação é de Bryce Dallas Howard, no papel de Claire, a gerente de operações do parque e uma das responsáveis por criar o Indominus Rex. 

Já a dupla de irmãos interpretados por Nick RobsonTy Simpkins não dão liga e fazem um trabalho mediano, com diálogos bem rasos e clichês, mas isso já é de se esperar, já que a direção de atores nunca foi o forte da franquia. 

No fim das contas Jurassic World é tudo aquilo que todos os fãs esperaram 22 para ver: Uma sequência digna para Jurassic Park, que, além de conter todos os elementos clássicos do primeiro, traz a emoção e a euforia de volta e ainda faz com que o público volte a ter a mesma sensação de arrepio ao ouvir os rugidos. Sem contar a vontade de querer sair do cinema cantarolando a trilha sonora por dias. Peguem seus passaportes, estejam com seus bilhetes em mãos e cliquem neste link antes de ler a frase final...

Pronto?

Mesmo?

Tá... 

Então lá vai.



Bem vindos, ao Jurassic World Park!

Nota:

Vinicius Machado quinta-feira, 11 de junho de 2015
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